Mudanças climáticas: países da América Latina poderão emitir títulos de resiliência para enfrentar eventos extremos com apoio do BID
Banco Interamericano de Desenvolvimento lança programa para fortalecer a resiliência climática na América Latina e Caribe, visando reduzir os impactos de desastres naturais. A iniciativa contará com um investimento de US$ 10 milhões até 2030, focando na criação de mecanismos financeiros e coordenação entre países.
América Latina e Caribe enfrentaram 74 eventos climáticos extremos em 2024, afetando sete milhões de pessoas e resultando em US$ 10 bilhões em perdas econômicas.
Em resposta, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lançou o programa 'Preparados e Resilientes nas Américas', que se estenderá até 2030, com US$ 10 milhões em financiamento a fundo perdido.
O objetivo é apoiar a adoção de mecanismos financeiros para captar recursos, incluindo:
- Emissão de títulos de resiliência
- Uma plataforma com dados intercambiáveis
- Ação coordenada para fornecimento de insumos
A vice-presidente do BID, Ana María Ibáñez, ressaltou a vulnerabilidade da região, onde 200 milhões de pessoas vivem em áreas de alto risco.
Perdas no Brasil: O país registrou dez eventos climáticos extremos, incluindo chuvas que devastaram o Rio Grande do Sul, resultando em 180 mortes e R$ 8,5 bilhões em prejuízo no agronegócio.
Ana María destacou a importância de um programa intrarregional para reduzir custos de resposta a desastres e unir recursos entre os países.
Ferramentas Financeiras: O BID incentivará o uso de instrumentos financeiros como "cat bonds" e seguros setoriais, visando emissão de títulos de resiliência por pelo menos seis países até 2030.
A prevenção é chave: US$ 4 em custos de recuperação são economizados para cada US$ 1 investido na redução de riscos.
O BID trabalhará para criar uma plataforma compartilhada de informações sobre riscos, melhorando o planejamento e coordenação de ações entre os países.
*A repórter viajou a convite do BID