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Mudanças climáticas podem reduzir recarga de aquíferos no Brasil

Estudo revela que a crise climática pode reduzir drasticamente a recarga dos aquíferos brasileiros, afetando a disponibilidade de água subterrânea. Pesquisa aponta que regiões Sudeste e Sul serão as mais impactadas, com mudanças significativas no regime de chuvas.

A crise climática pode ameaçar a recarga dos aquíferos brasileiros, impactando a oferta de águas subterrâneas no país, segundo um estudo do IGc-USP e do Inpe publicado na revista Environmental Monitoring and Assessment.

O estudo analisou cenários climáticos até 2100. Cientes de que cerca de 112 milhões de brasileiros (56% da população) dependem dessas águas, os cientistas utilizaram um modelo de balanço hídrico e dados do CMIP6 para prever mudanças.

  • Constatações indicam redução significativa da recarga em regiões do Sudeste e Sul.
  • Temperaturas poderão aumentar entre 1,02 °C e 3,66 °C até o final do século.
  • A distribuição de chuvas ficará mais desigual, com a região Norte apresentando queda na precipitação e o Sul e Nordeste a possibilidade de aumentos pontuais.

Ricardo Hirata, professor do IGc-USP, destaca que chuvas intensas podem não promover a infiltração necessária para a recarga dos aquíferos. A recarga subterrânea pode diminuir até 666 mm por ano em áreas críticas, especialmente no Sistema Aquífero Bauru-Caiuá.

Embora a água subterrânea seja crucial, poucas políticas públicas a abordam. Hirata afirma que, em anos de estiagem, cidades que usam água subterrânea sofreram menos impactos durante a crise hídrica de 2014-2016.

Com cerca de 5 milhões de poços no Brasil, que extraem até 600 m³/s, a água subterrânea é vital. Em São Paulo, apenas 1% do abastecimento público vem de aquíferos, mas poços privados ajudaram a suprir a demanda durante crises.

O estudo sugere a recarga manejada de aquíferos (MAR) como solução, utilizando técnicas que favorecem a infiltração, como bacias de infiltração. Essa abordagem já é involuntária em grandes cidades, onde vazamentos contribuem para a recarga.

A pesquisa contou com apoio da Fapesp e foi coordenada por Hirata, que receberá um prêmio pelo trabalho em águas subterrâneas.

O artigo completo está disponível neste link.

Informações da Agência Fapesp.

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