'Muitas vezes colocar o idoso em uma instituição é a melhor resposta. Não tenha vergonha'
Alexandre Kalache alerta sobre o envelhecimento acelerado no Brasil, que ocorre sem políticas adequadas para garantir qualidade de vida aos idosos. Ele defende a necessidade urgente de ações públicas para abordar a desigualdade e promover um envelhecimento digno em um país em transformação.
Alexandre Kalache, médico gerontólogo carioca, completa 50 anos de estudos sobre longevidade em 2025 e destaca o rápido envelhecimento da população brasileira, com ênfase nas desigualdades sociais.
Ele lamenta que os brasileiros envelheçam em pobreza, antes que o país se torne mais justo e com recursos adequados para atender necessidades básicas, especialmente na velhice. Para Kalache, os países desenvolvidos se prepararam muito tempo para o envelhecimento, enquanto o Brasil enfrentará essa transição em apenas 19 anos.
A falta de políticas públicas voltadas para idosos é uma preocupação constante. Kalache defende o respeito ao Estatuto do Idoso e a criação de mais instituições de longa permanência, alegando que a institucionalização não deve ser encarada como um tabu, mas sim como uma opção válida para muitos.
Kalache enfatiza a importância de promover a saúde ao longo da vida e preparar os jovens para o futuro, afirmando: “Um envelhecimento saudável começa na juventude.” Ele critica o estigma associado à institucionalização, destacando que muitos cuidadores são mulheres que já enfrentam um fardo imenso.
O gerontólogo pede melhor fiscalização das instituições que abrigam idosos e alerta para as condições precárias que muitos enfrentam, evidenciando a necessidade de mais instituições públicas de qualidade.
Sobre o acesso à saúde, Kalache menciona que 83% dos idosos dependem exclusivamente do SUS, o que ilustra a necessidade de melhorias nesse sistema. Ele alerta que a desigualdade e a pobreza estão diretamente ligadas a como o Brasil envelhece, geralmente de forma precoce e prejudicada.
Kalache acredita que celebrar o envelhecimento é essencial, pois muitos desejam envelhecer com saúde e dignidade. Ele ressalta que é fundamental tratar do envelhecimento desde a infância, integrando o tema nas discussões familiares e educacionais.
Sobre a aposentadoria, Kalache sugere uma abordagem mais gradual, que permita às pessoas continuarem ativas em suas profissões, reforçando a importância de ter um propósito de vida mesmo após a aposentadoria.
Ele conclui afirmando que todos podem envelhecer bem, desde que comecem a se preparar desde cedo, seja em termos de saúde, educação ou relações sociais.