'Não valem nada': produtor argentino descarta 140 toneladas de tomate em protesto contra contrabando da Bolívia
Setor hortícola de Salta enfrenta grave crise devido à combinação de baixos preços e altos custos, levando produtores a descartar colheitas. Agricultores denunciam o impacto negativo do contrabando de mercadorias estrangeiras na viabilidade da atividade agrícola na região.
Setor hortícola de Salta, Argentina, enfrenta crise insustentável
A queda no preço do tomate, somada ao aumento dos custos e à entrada de mercadorias contrabandeadas da Bolívia, afeta a agricultura local. Muitos agricultores relatam que grande parte da colheita está sendo descartada.
Fernando Ortiz, horticultor da região, afirmou: "É impossível competir com o dobro dos custos." Devido à falta de vendas, ele já descartou 140 toneladas de tomate e 60 toneladas de berinjela.
Dados do Senasa mostram que, entre janeiro e agosto, a Argentina importou 7.633 toneladas de tomate, a maioria do Chile. Apesar da ausência de registros oficiais do contrabando da Bolívia, o Mercado Central em Buenos Aires aponta que a mercadoria boliviana está circulando.
Ortiz critica a falta de ações políticas e o contrabando: "A ausência de ações políticas e o contrabando estão devastando a atividade." Ele destaca que insumos e custos de produção tornam a competição desigual, com preços em dólar mais baixos na Bolívia e Paraguai.
A temporada termina em agosto, e a Argentina já importou 311.686 toneladas de banana de cinco países, um aumento de 13% em relação a 2024. Muitos produtores reduziram a área plantada e a qualidade devido à falta de vendas.
“Não vendem um caixote por 4 mil pesos. O tomate sai por 2.500 pesos, a banana por 3 mil pesos,” disse Ortiz. Ele tenta aproveitar parte da safra com tomates envasados, mas isso não é suficiente. Recentemente, começou a doar bananas para consumo próprio, embora isso não resolva o problema da fome.
O contrabando de produtos da Bolívia, como vagens, continua a crescer.