Ninguém vai ganhar 100%, senão não seria acordo, diz Haddad ao defender Mercosul e União Europeia
Haddad destaca que o acordo entre Mercosul e União Europeia não será totalmente vantajoso para nenhum dos lados, enfatizando a necessidade de uma visão política. O ministro reforça a importância da integração das cadeias produtivas como caminho para a sustentabilidade.
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia não será 100% benéfico para ambos os lados.
No evento do Instituto de Estudos Políticos de Paris, ele declarou: "Não seria um acordo, seria uma imposição de um lado a outro."
Haddad destacou que a Europa deve ter um olhar político sobre o acordo, defendendo o multilateralismo.
Ele comentou que, embora não haja grandes vantagens econômicas para o Mercosul, o presidente Lula busca assiná-lo por razões políticas, como oferecer uma alternativa a um mundo bipolar.
O acordo de livre comércio foi oficialmente anunciado em dezembro de 2024, durante cúpula em Montevidéu.
A assinatura ocorrerá após revisões jurídicas e tradução dos textos.
Para entrar em vigor, necessita da aprovação do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia.
O objetivo do acordo é reduzir ou zerar tarifas de importação e exportação, prevendo tratados em temas como:
- Cooperação política
- Cooperação ambiental
- Livre-comércio
- Harmonização de normas sanitárias
- Proteção de propriedade intelectual
- Abertura para compras governamentais
As negociações começaram em 1999, com um termo preliminar assinado em 2019, enfrentando revisões e exigências, especialmente da União Europeia, devido à pressão de agricultores.