HOME FEEDBACK

O crash da Natura

A queda acentuada nas ações da Natura&Co reflete um desempenho financeiro decepcionante no quarto trimestre. A empresa enfrenta desafios operacionais e altos custos, mesmo com uma receita que apresentou crescimento.

Ação da Natura&Co despenca quase 30% após resultados do quarto trimestre muito abaixo das expectativas do mercado.

A maior decepção foi a margem bruta, que alcançou 63,2%, enquanto o mercado esperava cerca de 66%. A queda foi causada por promoções agressivas e um mix de vendas desfavorável, especialmente em kits de Natal.

O resultado impactou o EBITDA, que foi de R$ 703 milhões, cerca de 30% abaixo do esperado. A margem EBITDA ficou em 9,1%, com queda de 70 bps em relação ao ano passado.

As despesas operacionais superaram as projeções, com investimentos em TI sendo contabilizados como opex. O Bradesco BBI apontou um impacto de 160 bps na margem EBITDA devido a esses gastos e royalties maiores da Avon, que geraram outro impacto de 50 bps.

A Natura reportou um prejuízo de R$ 463 milhões, influenciado pelos custos do Chapter 11 da Avon e pela integração da Onda 2 de transformação. Custos com operações descontinuadas totalizaram R$ 114 milhões.

Uma única boa notícia foi a receita, que cresceu 16,1% em moeda constante, alcançando R$ 7,7 bilhões. No Brasil, a marca Natura cresceu 21%.

O JP Morgan destacou que os resultados operacionais não foram satisfatórios, apesar das boas tendências de receita. O mercado busca uma visão mais clara para o futuro, com preocupações sobre margens baixas e maiores despesas.

Outro ponto crítico é a solução para a Avon Internacional, com a Natura considerando uma venda ou investimento minoritário, mas sem visibilidade sobre o timing.

Durante a call com analistas, o CFO afirmou que parte do ‘miss’ se deve ao impacto da operação na Argentina, mas não quantificou esse efeito. Ele tranquilizou que as expectativas de margem não devem se ancorar no quarto trimestre.

O mercado reagiu com pânico, com as ações caindo 27% e atingindo o menor preço em 10 anos, com a Natura avaliada em R$ 14 bilhões e um volume de transações projetado de R$ 2,2 bilhões.

Leia mais em braziljournal