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O custo oculto da desancoragem das expectativas

Expectativas de inflação no Brasil permanecem desancoradas, mesmo com alta de juros. O governo enfrenta desafios para estabilizar a política fiscal em meio a pressões inflacionárias persistentes.

Expectativas de inflação no Brasil estão muito acima do limite da meta, conforme o relatório Focus, indicando que estão desancoradas.

O Sistema de Metas de Inflação (RMI), adotado em 1999, visa estabilizar a inflação através da taxa de juros. A meta atual é de 3%, com intervalo de 1,5% a 4,5%.

O RMI se baseia na convergência das expectativas; se todos acreditam na meta, os preços tendem a se ajustar. O relatório Focus ajuda o Banco Central a entender a confiança no cumprimento da meta.

O viés de ancoragem sugere que previsões são influenciadas por números inicial, mesmo que irrelevantes. O estudo de Kahneman e Tversky (1974) ilustra como esses números afetam as respostas.

Causas da inflação incluem o crescimento econômico impulsionado por estímulos fiscais, que geram excesso de demanda e pressões de oferta, como enchentes e incêndios. A desancoragem não gera inflação, mas dificulta a referência para reajustes de preços.

O governo parece optar por uma política fiscal expansionista, o que contradiz a ênfase monetária na contenção da inflação. Isso resulta em altas taxas de juros e custos elevados para consumidores e empresários.

Um custo oculto para a sociedade é o prolongamento do tempo necessário para ancorar novamente as expectativas. A falta de confiança se dissemina rapidamente e leva tempo para ser reconstruída.

Hudson Bessa - Economista e sócio da HB Escola de Negócios

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