O dia em que as mulheres se revoltaram contra a convocação militar no Brasil
Cerca de 300 mulheres se levantaram contra o recrutamento militar em Mossoró, desencadeando um motim histórico. A revolta, liderada por Ana Floriano, simboliza a luta feminina contra as consequências da Guerra do Paraguai e a defesa de seus familiares.
Motim das Mulheres ocorreu há 150 anos, em 30 de agosto de 1875, em Mossoró, RN.
Cerca de 300 mulheres se revoltaram contra um decreto imperial que regulamentava o recrutamento militar após a traumática Guerra do Paraguai.
O alistamento era um temor para muitas, que já haviam perdido familiares no conflito.
O movimento, uma revolta contra a obrigatoriedade do alistamento, foi intensamente mal recebido, gerando grande insatisfação entre a população.
Historiadores como Luís da Câmara Cascudo destacam que a legislação foi uma tentativa tardia de organizar o Ministério da Guerra.
A revolta teve eco em outras localidades, como Aries e Canguaretama, onde mulheres mostraram coragem e determinação.
A figura de destaque foi Ana Floriano, que liderou o motim armada com utensílios domésticos.
Ela, junto a outras mulheres como Maria Filgueira e Joaquina de Sousa, organizou o movimento em defesa de seus familiares.
O protesto culminou na destruição de editais e na invasão de um jornal local, com algumas mulheres até fazendo reféns.
O ato é lembrado como um exemplo de pioneirismo feminino e resiliência no contexto machista da época.
Artistas contemporâneos, como Isaías Medeiros, buscam dar visibilidade aos rostos dessas mulheres, que também incluíram representantes de classes menos favorecidas.
O motim serve como símbolo de luta pelo direito de não ver seus filhos alistados e permanece como um importante capítulo na história local.