O preço do cacau bateu recorde e deixou produtores da Bahia eufóricos, mas aí veio o 'banho de água fria'
Produtores de cacau no sul da Bahia enfrentam queda nos preços e desconfiança nas negociações com multinacionais. A situação agrava a luta por renovação das lavouras e limita investimentos em melhorias para garantir a sustentabilidade da produção.
Crise no Setor Cacaueiro da Bahia: Pequenos agricultores enfrentam dificuldades com a queda nos preços do cacau.
No início de agosto, um agricultor de cacau da Bahia expressou sua insatisfação com o baixo preço recebido por sua colheita, refletindo uma queixa comum entre produtores da região.
Após um recorde de preços no final do ano passado, o valor da arroba do cacau recuou, impactado pela expectativa de recuperação da safra na África.
As multinacionais que dominam o mercado têm pago R$ 85 a menos por arroba, enquanto os pequenos agricultores sentem os efeitos da imposição de tarifas pelos EUA.
A ANPC, que representa 5 mil produtores, denuncia que as indústrias estabelecem preços que não refletem o valor justo do cacau.
Os produtores como Josenilda Silva e José Luís Fagundes expressam frustração com a incerteza do mercado, o que os impede de investir na modernização de suas lavouras.
A AIPC alerta para uma redução da moagem e previsão de perdas no setor, prevendo que a indústria, afligida por tarifas dos EUA, irá importar cacau africano.
O cenário atual destaca a dificuldade de pequenos produtores que, além de uma frágil organização, enfrentam domínios nas negociações por parte das grandes indústrias.
A expectativa de melhora nos preços e condições novamente se vê prejudicada, levantando dúvidas sobre o futuro dos agricultores na região.
Os especialistas coincidam em que a recuperação e a construção de confiança no mercado são necessárias para garantir a sustentabilidade do setor cacaueiro no Brasil.