O preço do cacau bateu recorde e deixou produtores da Bahia eufóricos — mas aí veio o 'banho de água fria'
Queda drástica nos preços do cacau preocupa pequenos produtores na Bahia, que veem suas expectativas de investimento desmoronarem. A baixa na cotação, impulsionada por fatores externos, gera incertezas e desânimo na agricultura familiar da região.
Pequenos produtores de cacau na Bahia enfrentam dificuldades financeiras devido à queda nos preços pagos pelas multinacionais, apesar do aumento do preço global do cacau.
Um pequeno agricultor expressou sua insatisfação com a baixa remuneração pela arroba do cacau, refletindo uma preocupação geral entre agricultores da região.
No final de 2022, o preço do cacau alcançou recordes, mas desde então, a cotação caiu devido a uma suposta recuperação na produção em países como Gana e Costa do Marfim.
A Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) relatou que os preços no Brasil estão R$ 85 a menos por arroba, levando aos produtores a reclamar da falta de poder nas negociações com as grandes indústrias.
A indústria cacaueira enfrenta previsões de perdas de R$ 180 milhões até 2025 devido a tarifas impostas pelos EUA, afetando a exportação e a produção.
Produtores como Josenilda Silva e José Luiz Fagundes adiaram investimentos planejados devido à incerteza do mercado, refletindo uma ansiedade e insegurança predominantes na região cacaueira.
A AIPC reconhece a falta de demanda, que contribui para a necessidade de importar cacau da África, aumentando a ociosidade das fábricas brasileiras e sugerindo uma necessidade de mudança nas práticas de compra.
O cenário atual leva muitos a questionar se as indústrias podem manter preços altos para estruturar a cadeia produtiva no futuro.