Opinião | Bolsonaro tentou levar o Brasil de volta aos tempos de Médici, o ‘grande amigo’ das criancinhas
Reflexões sobre o 31 de março: a importância da democracia e os desafios enfrentados ao longo da história. Lideranças atuais celebram os avanços da Constituição Cidadã e reafirmam o compromisso com os direitos humanos.
Março de 1970. Porto Alegre possui a significativa Avenida Protásio Alves, em homenagem ao médico e político. O General Emílio Garrastazú Médici, terceiro presidente da ditadura militar instaurada em 1964, frequentemente visitava a cidade, onde crianças acenavam para ele. Embora elogiado nas escolas, sua presidência foi marcada pela repressão.
Após a ditadura, o Brasil, com a nova Constituição de 1988, iniciou um processo de redemocratização. Em 1989, ocorreram as primeiras eleições diretas. Entretanto, em 8 de janeiro de 2023, Jair Bolsonaro tentou incitar um golpe após perder a eleição, mas não obteve apoio das Forças Armadas.
Bolsonaro, capitão reformado, tornou-se presidente após décadas de instabilidade política e o impeachment da então presidente Dilma Rousseff em 2016. Seu governo foi marcado pela aliança com militares, que, ao invés de afastar eleitores, acabou atraindo apoio em um cenário de descontentamento com escândalos de corrupção.
Com uma campanha limitada financeiramente, mas amparada por uma estratégia eficaz nas mídias sociais, Bolsonaro venceu as eleições em um contexto de violência e crise. No entanto, no dia 31 de março, as Forças Armadas não comemoraram a data de 1964. As menções à democracia vieram de civis, como o presidente Lula e o presidente do STF Luís Roberto Barroso, que reforçaram a importância da memória e da democracia.
Foi um dia de exaltação à democracia e à Constituição Cidadã.