Oposição organiza boicote ao comércio na Turquia em ato contra prisão de prefeito
Protestos em massa e boicote comercial desafiam o governo Erdogan após a prisão do prefeito de Istambul. A oposição critica a ação como uma tentativa de silenciar vozes dissidentes em meio a uma crise econômica.
Protestos em massa ocorrem na Turquia após a prisão do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu. A oposição convocou um boicote comercial, pedindo aos cidadãos que parassem todas as compras nesta quarta-feira (2).
O governo de Recep Tayyip Erdogan classificou as ações como “tentativa de sabotagem econômica”, alertando sobre os impactos à já frágil economia turca.
A prisão de Imamoglu, há duas semanas, gerou críticas ao governo sob a acusação de motivação política. Imamoglu, candidato do Partido Republicano do Povo (CHP) à Presidência, foi preso antes das eleições.
O CHP pediu um boicote a empresas ligadas ao governo, mas a oposição ampliou o apelo, pedindo um dia inteiro sem compras. O efeito foi visível em Istambul e Ancara, onde muitos comerciantes apoiaram a ação.
O ministro do Comércio, Omer Bolat, criticou o boicote, pedindo que os cidadãos continuassem a comprar normalmente, ressaltando que a paralisação comercial traria consequências negativas.
A Turquia enfrenta uma severa crise econômica com inflação de 39% e frequentes quedas na moeda local, aumentando o custo de vida.
O Ministério Público de Istambul iniciou uma investigação sobre os organizadores do boicote, acusando-os de incitar ódio.
Enquanto isso, a União Europeia encontra-se preocupada e anunciou que irá “reavaliar cuidadosamente” sua relação com a Turquia, em resposta à prisão de Imamoglu. A comissária de Ampliação da UE, Marta Kos, cancelou uma visita prevista ao país, refletindo as crescentes inquietações sobre a situação política.