Oposição quer derrubar aumento de IR para mais ricos, e centrão se divide
Movimento no Congresso busca modificar proposta de isenção do Imposto de Renda, focando na compensação para não onerar os mais ricos. O governo defende a taxação dos super-ricos como solução para a perda de arrecadação.
Oposição e centrão se movimentam no Congresso para alterar projeto de ampliação da isenção do Imposto de Renda.
A proposta, uma das bandeiras principais de Lula para a reeleição em 2026, já foi aprovada em comissão e será votada no plenário da Câmara em breve.
O texto atual, relatado por Arthur Lira, eleva a faixa de isenção de R$ 3.036 para R$ 5.000, com desconto parcial até R$ 7.350. A compensação ocorre através de um imposto mínimo para rendas a partir de R$ 50 mil mensais.
O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, anunciou emenda para derrubar a compensação e defende isenção até R$ 10 mil. Ele afirma que a cúpula do centrão o apoiará.
Outros líderes, como Antônio Rueda e Ciro Nogueira, também defendem mudanças que reduzam o impacto para os mais ricos. Rueda se opõe à criação do imposto sobre rendas altas, preferindo debate antes de revogar a medida.
O PP propôs aumentar a faixa de cobrança dos ricos de R$ 50 mil para R$ 150 mil, mas agora busca alterações no plenário, como aumentar a CSLL dos bancos e elevar o teto de isenção parcial.
Apesar das movimentações, o presidente da Câmara, Hugo Motta, endossa a aprovação do texto original. "A Câmara vai ter responsabilidade", disse Motta, que foi elogiado por seus esforços para a aprovação.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vê otimismo na votação e defende a taxação dos super-ricos, considerando que "há muita injustiça no Brasil".
A oposição, segundo Lindbergh Farias, também reativará nas redes o discurso de que os opositores protegem os ricos. Reunião entre líderes do Senado e da Câmara irá estabelecer o calendário para a votação.
O ministro Rui Costa adverte que a oposição terá dificuldades para se colocar contra a medida, afirmando que "é preciso recursos para serviços públicos".