Para Haddad, Europa deveria ter olhar político sobre acordo com Mercosul, e não discutir item por item
Haddad defende que o acordo Mercosul-União Europeia deve ser analisado politicamente, e não apenas economicamente. O ministro critica o uso de medidas protecionistas que ignoram a questão ambiental e o potencial de parceria entre os países.
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou em Paris que a Europa deve ter um olhar político sobre o acordo Mercosul-União Europeia e não apenas discutir os interesses de cada lado.
Haddad ressaltou que não é viável ter um acordo que seja "100% benéfico" para um dos lados, pois isso se tornaria uma imposição. Ele destacou que o objetivo de sua viagem não é convencer a França a aceitar o acordo já assinado, esperando que o país analise-o com cuidado.
Em relação à energia elétrica do Brasil, Haddad criticou quem desconsidera a energia elétrica das hidrelétricas como limpa, argumentando que isso é uma forma de proteger o mercado interno sem considerar a questão ambiental de maneira séria.
O ministro mencionou que as negociações devem focar na prosperidade e equilíbrio de forças no mundo, com vistas à sustentabilidade ambiental.
Segundo Haddad, o presidente Lula busca o acordo por razões políticas, mais do que econômicas, argumentando que não há vantajosas claras para o Mercosul. Ele acredita que o objetivo é oferecer uma alternativa ao mundo bipolar e resistir a discursos de intolerância.
Haddad também destacou que práticas protecionistas, iniciadas com o governo Trump, desconsideram a questão ambiental e que esse caminho está em desacordo com o multilateralismo.
Embora o Brasil possa adotar uma política contrária ao acordo, Haddad acredita que a integração das cadeias produtivas pode ser positiva para o meio ambiente, e ressaltou a importância de evitar uma visão binária nas relações internacionais.
Por fim, ele afirmou que a balança comercial do Brasil com os Estados Unidos é estável, e que qualquer retaliação ao Brasil seria injustificável, considerando a relação de parceria entre os dois países.