Paraguai convoca embaixador do Brasil no país para explicar suposto monitoramento da Abin
Paraguai solicita explicações ao Brasil sobre suposto monitoramento da Abin e convoca embaixador para consultas. A investigação revela corrupção de dados de autoridades paraguaias no contexto de negociações sobre a usina de Itaipu.
Chanceler paraguaio, Luis Ramírez Lezcano, convocou o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes, para prestar esclarecimentos sobre o suposto monitoramento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) a sistemas do governo paraguaio.
O governo paraguaio também chamou de volta para consulta o embaixador em Brasília, Juan Ángel Delgadillo, para relatar informações sobre o caso.
De acordo com diplomatas, a convocação é vista como uma medida natural. Marcondes afirmou que os episódios ocorreram durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, não na atual.
Acontroversia surgiu após a divulgação de que a Abin invadiu computadores de autoridades paraguaias utilizando e-mails com um programa espião, conforme depoimento de um agente da agência à Polícia Federal.
O depoimento indicou que a Abin usou a ferramenta Cobalt Strike para desenvolver um aplicativo que visava obter informações sobre a venda de energia da usina Itaipu.
O agente declarou que foram invadidos sistemas ligados à Presidência e ao Congresso do Paraguai, capturando dados de cinco a seis autoridades, incluindo o Presidente do Paraguai e do Senado.
O Itamaraty contestou a narrativa, afirmando que a operação foi autorizada em junho de 2022 e suspensa em março de 2023, sob a atual gestão.
Essa ação coincidiu com discussões sobre o reajuste do valor pago pelo Brasil pela energia de Itaipu, com um acordo sendo estabelecido em 2023.
O depoimento está inserido em um inquérito sobre o uso ilegal de ferramentas para monitorar adversários políticos durante o governo Bolsonaro, com alegações de autorização do atual chefe da Abin.