Paraguai convoca embaixador e suspende negociação de Itaipu para apurar espionagem da Abin
Paraguai expressa indignação após revelação de espionagem brasileira e suspende negociações sobre tratativa de energia de Itaipu. Em resposta, o governo brasileiro admite a operação, mas a atribui à gestão passada.
Governo do Paraguai convoca embaixador do Brasil após denúncia de espionagem da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Em resposta a uma reportagem do UOL, o Paraguai expressou seu repúdio diplomático. O governo paraguaio suspendeu as negociações do Anexo C do Tratado de Itaipu até que a situação seja esclarecida.
O embaixador José Antonio Marcondes de Carvalho foi chamado para fornecer explicações. O governo brasileiro reconhece que a espionagem ocorreu durante a gestão de Jair Bolsonaro, mas afirma que foi interrompida em março de 2023.
Durante uma coletiva, o governo paraguaio, liderado pelo presidente Santiago Peña, confirmou a convocação de seu embaixador em Brasília e anunciou uma investigação sobre as ações de inteligência.
O ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano, declarou que a intromissão em assuntos internos é violações do direito internacional, afetando a confiança entre os países.
As negociações do tratado permanecerão suspensas até que a confiança seja restaurada. O Paraguai ainda investiga se houve interceptação de comunicações de seus oficiais.
Em relação ao Tratado de Itaipu, que estabelece termos de energia, a negociação do Anexo C estava prevista para ser finalizada até 30 de maio, mas agora está em suspenso.
A operação de espionagem visava coletar dados de autoridades paraguaias para influenciar decisões sobre a tarifa de energia da Itaipu Binacional.
O Itamaraty reafirmou que o presidente Lula não autorizou a operação e que a atual gestão preza pelo respeito e diálogo transparente nas relações com o Paraguai.
A reportagem seguirá atualizada conforme novos posicionamentos forem divulgados.