'Pequena Venezuela': Sweida, a capital dos drusos na Síria onde 20% da população é venezuelana
Sweida, cidade sírio-venezuelana, enfrenta confrontos violentos entre drusos e beduínos. A tensão se intensifica após massacres e bombardeios, refletindo o impacto das crises na Síria e na Venezuela.
Sweida, Síria: Uma cidade no sudoeste da Síria onde se fala espanhol e onde vivem muitos descendentes de imigrantes venezuelanos.
A cidade tem uma avenida Bolívar e é famosa por suas arepas, típicas da Venezuela e Colômbia. Nos últimos dias, Sweida tem sido palco de conflitos entre drusos e beduínos sunitas, levando o governo sírio a enviar tropas. Essas forças foram acusadas de um massacre em um hospital local.
O massacre foi usado por Israel como justificativa para bombardear alvos na Síria. Sweida é a capital dos drusos, uma comunidade étnica com raízes no islamismo xiita. Cerca de 20% de sua população é originária da Venezuela, promovendo a expressão "Venesweida".
Segundo Enrique Alhamad, presidente da Federação de Entidades Árabes da Venezuela, existe uma longa história de migração árabe para a Venezuela desde o século 19.
O movimento entre os dois países criou uma forte influência cultural, com costumes e práticas venezuelanas inseridas na vida cotidiana de Sweida, como o Dia das Mães.
Os laços entre Venezuela e Síria foram intensificados durante o governo de Hugo Chávez. Sweida se tornou um ponto de convergência cultural e religiosa para os drusos, que frequentemente ocupam posições de destaque no governo venezuelano.
A cidade enfrenta agora uma série de conflitos com mais de 1.600 mortos confirmados, muitos deles entre drusos e civis. A situação permanece tensa, e o acesso à região é complicado.
Relatos de testemunhas indicam massacres em locais como um hospital e a casa da família Al-Radwan. Neisser Banout Radwan, uma drusa de origem venezuelana, denunciou um clima de terror no local.
Randa Dowiar, uma drusa casada com um sírio, compartilhou sua experiência traumática durante os conflitos, destacando a violência e o medo persistente.
A Venezuela está organizando voos para retirar seus cidadãos da Síria, mas muitos, como Randa e seus filhos, enfrentam dificuldades para sair.
A vida em Sweida, que antes era bonita e limpa, agora é marcada pela mistura de culturas e pela tensão social decorrente dos conflitos.