Por que 1º de abril é considerado o Dia da Abolição da Escravidão Indígena no Brasil
Pesquisadores destacam a exploração da mão de obra indígena durante a colonização do Brasil, um aspecto historicamente negligenciado. A historiografia contemporânea busca resgatar essa narrativa, evidenciando a complexidade da escravidão no país.
Historiografia brasileira frequentemente negligencia a participação indígena na escravidão, enquanto estima-se que 5 milhões de africanos foram trazidos ao Brasil. Historiadores contemporâneos confirmam que houve muita escravidão indígena em diversas regiões, embora números exatos sejam difíceis de determinar.
A historiadora Luma Ribeiro Prado defende a importância de ensinar sobre a escravidão indígena nas escolas, enfatizando que a construção do Brasil envolveu diversas formas de opressão. O historiador João Paulo Peixoto Costa critica a imagem distorcida da história que associa os indígenas à preguiça, desmentindo preconceitos.
A mão de obra indígena foi utilizada compulsoriamente desde a chegada dos portugueses até o século 19. Legislações da época refletiam conflitos sobre direitos humanos, questionando se indígenas eram considerados humanos. Em 1570, a Coroa portuguesa permitiu a escravização apenas em casos de "guerra justa".
As regulamentações se tornavam inconsistentes, e a legislação de 1680 prometeu liberdade aos indígenas, mas a prática continuou, com a Igreja exercendo uma visão ambígua. Em 1755, outra legislação prometeu liberdade, mas apenas para indígenas considerados súditos.
De acordo com Prado, cerca de 80% da escravidão indígena era ilegal. O preço da exploração frequentemente era menor, levando colonizadores a usar mão de obra indígena, especialmente em regiões pobres como São Paulo e a Amazônia.
Historiadores como Renato Pinto Venancio destacam que os africanos eram preferidos devido ao seu conhecimento em mineração e agricultura. A escravidão indígena foi impulsionada pela impossibilidade financeira de contratar africanos.
A figura do bandeirante paulista, comumente vista como heróica, era na verdade responsável pela caça sistemática de indígenas. Embora oficialmente abolida em 1755, a escravidão indígena ressurgiu em 1808 e os povos originários continuam vulneráveis a formas análogas à escravidão.
As feridas da escravização ainda afetam tanto negros quanto indígenas, como destaca Márcia Mura, refletindo uma história profundamente marcada por violência e exploração.