Por que as fintechs, como as usadas pelo PCC, têm regulação menor do Banco Central?
Operação investiga lavagem de dinheiro envolvendo fintechs e PCC. Autoridades apontam fragilidades na regulação das instituições financeiras que facilitam crimes financeiros.
Megaoperação Carbono Oculto foi deflagrada hoje pelo Ministério Público de São Paulo, Receita Federal e Polícia Federal.
Alvo: fintechs, fundos de investimento e gestoras acusadas de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
As fintechs, que oferecem serviços financeiros inovadores, operam em grande parte fora da supervisão do Banco Central (BC). Isso se deve a uma decisão do BC para estimular a competição no setor.
Diferente dos bancos tradicionais, as fintechs não são obrigadas a reportar suspeitas de lavagem de dinheiro ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o que facilita ilegalidades.
Especialistas alertam que, sem requisitos como "conheça seu cliente", essas instituições podem ser exploradas por criminosos.
Atributos das fintechs:
- Menos obrigações que bancos convencionais;
- Iniciaram operações em 2013 com contas de pagamento simplificadas;
- Cronograma de adequação ao regulamento bancário se estende até 2029.
A Febraban defende que esse prazo seja antecipado, afirmando que todas as instituições devem ter políticas de integridade e controle.
Técnicos do BC reconhecem a necessidade de acelerar a regulação, mas temem sobrecarregar a análise de novos pedidos.
Até 2026, todos os participantes do PIX deverão solicitar autorização ao BC, que já começou a requerer dados sobre transações e clientes.
A terceirização de serviços financeiros, como o modelo banking as a service, também se tornou comum com pouco controle.
A fiscalização do BC é limitada: faltam recursos e pessoal para monitorar a operação, especialmente durante a madrugada.
Apesar de propostas para monitoramento mais rigoroso pela Receita Federal, fintechs não são obrigadas a enviar informações fiscais, dificultando o combate a crimes.