Por que inflação no mundo e no Brasil teima em não cair após a pandemia?
A inflação global permanece elevada, desafiando expectativas de retorno aos níveis pré-pandemia, impactada por problemas fiscais e mudanças econômicas. Economistas alertam que a persistência de altas taxas de juros pode complicar ainda mais a recuperação econômica em diversos países, incluindo o Brasil.
A economia global mudou drasticamente em cinco anos, devido à pandemia de coronavírus. Antes, existiam preços estáveis, baixa inflação e taxas de juros próximas de zero em economias avançadas, como EUA e países europeus.
Antes da pandemia, a inflação no Brasil estava próxima da meta de 4,5%, e taxa de juros abaixo de 7%. Porém, a covid-19 provocou uma queda brusca nas economias e, em seguida, um aumento acelerado nos preços.
No Brasil, a inflação saltou de 4,19% em janeiro de 2020 para 12,13% em abril de 2022. Nos EUA, houve um aumento de 2,5% para 9,1%, o maior patamar desde 1980.
As autoridades monetárias aumentaram as taxas de juros para combater a inflação: nos EUA, de 0,25% para 5,5%, e no Brasil, de 2% para 13,75%.
Apesar das expectativas de retornar aos níveis pré-pandemia, a inflação persiste. O economista Joseph Gagnon atribui isso à inércia durante a pandemia e ao aumento de salários que elevaram os preços de serviços.
Desafios fiscais complicam a compressão da inflação, com governos enfrentando dificuldades orçamentárias. A expectativa de preços é influenciada pela dívida pública crescente e gastos excessivos, como observado nos EUA e na Europa.
A transição para energia mais limpa também pressiona os preços, aumentando os custos de produção. Com as dívidas elevadas, a disciplina fiscal tornou-se uma questão crítica.
No Brasil, a inflação pode continuar alta, com projeções indicativas de déficits fiscais até 2026. Além disso, se as taxas de juros nos EUA permanecerem altas, isso pode impactar negativamente a economia brasileira.
Por fim, problemas fiscais como a aposentadoria dos trabalhadores autônomos apresentam novos desafios. O próximo presidente pode precisar implementar uma nova reforma da previdência para lidar com essas questões.