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Por que inflação no mundo e no Brasil teima em não cair após a pandemia?

A inflação global e brasileira apresenta resistência em voltar aos níveis pré-pandemia, refletindo desafios fiscais e econômicos. Economistas alertam que o controle da inflação está atrelado à disciplina fiscal dos governos e à evolução das taxas de juros.

A inflação dos alimentos no Brasil está acima da inflação geral, reflexo de um cenário econômico que mudou drasticamente após a pandemia de coronavírus.

Antes da covid-19, a inflação nas economias avançadas era rara e as taxas de juros estavam próximas de zero. O Brasil tinha inflação perto de 4,5% e juros abaixo de 7%.

A pandemia trouxe uma desaceleração econômica, seguida pela explosão de preços globalmente. No Brasil, a inflação saltou de 4,19% (jan/2020) para 12,13% (abr/2022). Nos EUA, a inflação subiu de 2,5% para 9,1%. Para conter a inflação, muitos países elevaram suas taxas de juros.

Nos EUA, a taxa básica de juros aumentou de 0,25% para 5,5% entre 2022 e 2023; no Brasil, de 2% para 14,25%. A expectativa é que a inflação retorne aos níveis pré-pandemia, mas isso não está se concretizando.

O economista Joseph Gagnon aponta que, enquanto a inflação caiu de 8% ou 9% para menos de 3%, a volta ao patamar de 2% está demorando devido à inércia nos preços.

Desafios para a contenção da inflação incluem o problema fiscal dos governos, que têm dificuldades em equilibrar suas contas. A relação entre a dívida pública e a inflação continua a ser uma preocupação.

Fatores ambientais e a troca de matrizes energéticas também pressionam os preços. O descontrole fiscal está presente em várias economias, incluindo Brasil e EUA.

Efeitos adicionais das decisões políticas, como a recente posse de Donald Trump, podem exacerbar a inflação novamente, principalmente com tarifas sobre importações.

Para o Brasil, a situação é complicada. Apesar dos salários acompanharem a inflação, as pressões de preços continuam. A expectativa de déficit primário até 2026 eleva o endividamento e gera desconfiança na moeda e inflação.

Movimentos futuros obrigarão o Brasil a considerar novas reformas, especialmente na Previdência, diante de novas "bombas fiscais" que poderão surgir.

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