Por que, mesmo com a inflação em alta, o BC americano sinalizou corte de juros?
Jerome Powell sugere a possibilidade de corte de juros em setembro, provocando reações otimistas nos mercados financeiros. O presidente do Fed destaca a importância de equilibrar a inflação e o desemprego em meio a pressões econômicas crescentes.
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), sinalizou a possibilidade de um corte de juros na reunião de setembro, gerando euforia em Wall Street e uma queda significativa do dólar.
No simpósio de Jackson Hole, Powell afirmou que o cenário atual da economia americana justifica um ajuste na política monetária. Ele alertou para os efeitos da tarifaço de Donald Trump na inflação e destacou o aumento do desemprego.
Powell descreveu o mercado de trabalho como um equilíbrio curioso, resultante de uma desaceleração na demanda e oferta de emprego, e indicou que os riscos de demissões em massa estão crescendo.
Apesar de uma meta de inflação de 2%, a taxa atual é de 2,6%. O desemprego subiu para 4,2% em junho e a taxa de juros está entre 4,25% e 4,5%.
Os mercados precificaram quase que com certeza um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 17 de setembro. Contudo, dois diretores do Fed geraram incertezas, alertando para a possibilidade de estagflação.
Powell enfatizou a tensão entre o pleno emprego e a estabilidade dos preços como o principal desafio do Fed. Ele enfrenta pressão de Trump, que pediu um corte imediato de juros.
O mercado reagiu positivamente, com o Dow Jones e Bovespa subindo significativamente. O dólar caiu 0,95% no Brasil, e os juros futuros diminuíram.
A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, apontou que a sinalização de cortes nos juros nos EUA torna a renda fixa menos atrativa e estimula investidores a buscar ativos de risco.