'Precisa ver como sonegar isso', diz conversa captada em operação contra PCC
Operação Carbono Oculto investiga fraudes em postos de combustíveis no Brasil, incluindo grandes redes. Com 1.400 agentes envolvidos, a ação busca desmantelar a infiltração do PCC no setor e combater crimes econômicos relacionados à adulteração de gasolina.
Operação Carbono Oculto revela adulteração de gasolina em postos de combustíveis. A conversa interceptada entre investigados sugere nova fraude: combustível sintético em São Paulo.
Um dos envolvidos comentou sobre sonegar a origem do produto, demonstrando a atuações do PCC (Primeiro Comando da Capital) não se limitando a postos de bandeira branca, mas alcançando também grandes redes. O procurador João Paulo Gabriel destaca:
- "O negócio deles é fraudar, não importa como".
A operação, iniciada em 28 de setembro, envolveu 1.400 agentes em busca de desarticular a infiltração do crime organizado no setor. Mais de 350 alvos foram identificados por suspeitas de:
- Fraudes contra a ordem econômica.
- Adulteração de combustíveis.
- Crimes ambientais.
- Lavagem de dinheiro.
- Fraude fiscal e estelionato.
A ação se estendeu a oito estados, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro. O promotor Yuri Frisberg destacou que até os meios de pagamento das lojas de conveniência estavam envolvidos na fraude.
Estima-se que 50% dos cerca de 44 mil postos no Brasil não tenham bandeira de distribuidora. As fraudes no setor se intensificaram após a greve dos caminhoneiros em 2018, levando ao uso da bomba branca.
Embora a 1ª Vara Federal de Uberlândia tenha tornado irregular o uso da bomba branca em março, a adulteração continuou. A operação identificou que um dos métodos de fraude ocorre no porto de Paranaguá, onde etanol desviado chega a postos em São Paulo com níveis de solvente de até 50%.
O Sindicom celebrou a operação e enfatizou a importância do combate às práticas ilícitas para proteger consumidores e garantir a arrecadação de tributos.