Principal produto do banco Master consumiria 42% do fundo que protege os clientes de bancos no País
Banco Master pode afetar significativamente o Fundo Garantidor de Créditos com sua captação de recursos por meio de CDBs a juros elevados. Aquisição pelo Banco de Brasília promete redução de riscos para investidores e uma reestruturação nas taxas de captação.
Banco Master em risco de impactar fundo garantidor
Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) do Banco Master, com juros acima do mercado, podem consumir 42% do patrimônio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege clientes bancários em caso de falência.
Em junho de 2024, o Banco Master e suas controladas tinham R$ 45,6 bilhões em depósitos a prazo, enquanto o FGC possuía R$ 107,8 bilhões para eventual socorro.
Ainda não foi divulgado o balanço consolidado do Banco Master, o que pode aumentar o total de depósitos.
Cerca de metade dos CDBs do Master será transferida para o Banco de Brasília (BRB), se a aquisição for aprovada. O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que, com isso, as taxas que atualmente superam o CDI podem ser alteradas, reduzindo riscos no sistema.
A incorporação do Master pelo BRB necessita da aprovação do Banco Central (BC). Documentos foram entregues para análise e o processo pode levar até 360 dias, embora a expectativa seja que ocorra mais rapidamente.
Unidades que não forem para o BRB, como o banco Voiter, terão ativos que não interessam ao novo conglomerado, totalizando cerca de R$ 23 bilhões em passivos.
O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF. A proposta de aumento para R$ 1 milhão recebeu críticas de associações bancárias, que temem aumentar o custo das operações financeiras e o risco moral no sistema.
O BC implementou normas para regular a emissão de produtos financeiros como CDBs, após o uso excessivo do FGC por bancos menores para oferecer altas taxas e aumentar sua captação.
Em 2024, 24% das aplicações com garantia do FGC são de bancos menores, um aumento em relação a 16,7% em 2019. Essas aplicações são predominantemente CDBs, com 83% do valor segurado nas instituições menores.