Promotoria da Colômbia pede condenação de ex-presidente Uribe por suborno e fraude
Uribe é acusado de suborno e manipulação de testemunhas em processo que pode levá-lo à prisão, destacando seu envolvimento com grupos paramilitares. As investigações se intensificam, com gravações e depoimentos vinculando-o a fraudes processuais relacionadas à sua gestão.
Promotores da Colômbia solicitaram a condenação de Álvaro Uribe por suborno e fraude processual. Uribe é o primeiro ex-presidente a enfrentar um julgamento criminal no país.
O julgamento, iniciado em maio de 2024, envolve acusações de que ele pressionou paramilitares a omitirem seu suposto envolvimento com esquadrões antiguerrilha.
Os promotores afirmam que Uribe, de 72 anos, ofereceu subornos a testemunhas para depoimentos favoráveis. Uma condenação pode resultar em até oito anos de prisão.
O processo se originou em 2012, quando Uribe acusou o parlamentar Iván Cepeda de "buscar falso testemunho" para vinculá-lo a paramilitares. Em 2018, a Suprema Corte começou a investigar Uribe por manipulação de testemunhas.
Em 2020, Uribe recebeu uma ordem de prisão domiciliar, mas renunciou ao cargo de senador, transferindo o caso para a Justiça comum e suspendeu a prisão.
Uribe nega as acusações e diz que o julgamento é motivado politicamente. O prazo de prescrição expira na segunda semana de outubro.
Os procuradores possuem gravações telefônicas e depoimentos que comprovam tentativas de Uribe de se desvincular de grupos paramilitares.
Seu governo (2002-2010) se destacou pelo combate a esses grupos e pela postura dura nas negociações de paz.
Nos últimos anos, sua imagem se deteriorou, e o uribismo perdeu influência.
Uribe também está sob investigação por possíveis conhecimentos sobre o assassinato de defensores de direitos humanos e massacres durante seu governo.
Além disso, ele foi denunciado na Argentina por suposta responsabilidade em mais de 6.000 assassinatos e desaparecimentos de civis, descritos como crimes contra a humanidade.