Quais os efeitos para o Brasil com o ‘Dia da Libertação’ tarifária dos EUA?
Expectativa pelo impacto das tarifas de Trump sobre as exportações brasileiras gera apreensão entre empresários. Setores como o de máquinas e equipamentos e o de produtos semiacabados de ferro e aço são os mais preocupados com as mudanças.
Expectativa sobre tarifas de Trump
O governo e empresários brasileiros aguardam os anúncios de Donald Trump em 2 de abril, conhecidos como o “Dia da Libertação”, para medidas tarifárias “recíprocas” país por país. A preocupação é com o impacto nas exportações brasileiras, principalmente o óleo bruto de petróleo, que representa 14,3% das exportações para os EUA.
Impacto nas exportações
- Produtos semiacabados de ferro ou aço: 76,2% das exportações brasileiras desse segmento vão para os EUA.
- Tarifas de 25% sobre o aço e alumínio já estão em vigor desde 12 de março.
A lista de produtos exportados é dominada por commodities, com exceções como aeronaves e equipamentos de engenharia. O Brasil enfrenta pressão sobre a tarifa de 18% aplicada ao etanol americano, enquanto os EUA aplicam 2,5% sobre o etanol brasileiro.
Previsões incertas
José Augusto de Castro, da AEB, acredita que produtos manufaturados serão mais impactados pelas novas tarifas. As exportações de máquinas de energia elétrica, por exemplo, dependem fortemente do mercado americano.
Comércio bilateral
Em 2024, os EUA foram responsáveis por 12% das exportações brasileiras, enquanto 15,5% das importações vieram de lá. O Brasil apresenta um déficit comercial em produtos americanos.
Relatório do USTR
O relatório aponta que o Brasil impõe altas tarifas e barreiras a produtos americanos, incluindo máquinas e eletrônicos. A indústria brasileira, especialmente de máquinas e equipamentos, mostra-se preocupada com a iminente elevação de tarifas.
Desafios da indústria brasileira
- Déficit significativo no comércio de máquinas: US$ 1,1 bilhão em 2024.
- Elevação dos preços do aço impacta a competitividade da indústria.
A indústria química brasileira enfrenta déficits nas trocas comerciais, importando US$ 12 bilhões de produtos químicos americanos, enquanto exporta apenas US$ 4 bilhões. O tarifaço de Trump pode agravar a ociosidade na capacidade instalada de 36% no setor químico.