Quem são os alauitas, alvos de massacre na Síria
A escalada de violência na Síria levanta preocupações sobre vinganças sectárias e a segurança da minoria alauita, historicamente ligada ao regime deposto de Assad. Comhundade tenta pedir unidade, mas novos confrontos e massacres intensificam o ciclo de hostilidade.
Apelo à unidade nacional do líder interino da Síria, Ahmad al-Sharaa, ocorre em meio a uma onda de violência e assassinatos por vingança, principalmente contra a minoria alauita, considerada leal ao ex-presidente deposto Bashar al-Assad.
A violência se intensificou após dias de confrontos, onde membros das forças do novo governo teriam matado centenas de civis alauitas.
Contexto histórico: Os alauitas são uma ramificação do islamismo xiita, surgindo entre os séculos 9 e 10. Representam cerca de 10% da população síria e são o segundo maior grupo religioso do país. Após um golpe em 1970, sob o governo da família Assad, os alauitas consolidaram seu poder nas principais instituições do país.
Com a fuga de Assad para a Rússia em dezembro do ano passado, a influência alauita se desfez rapidamente, levando a tensões sectárias.
Motivo da violência atual: A onda começou após emboscadas a forças de segurança e o anúncio de uma nova rebelião liderada por Ghiath Dallah, ex-general do Exército de Assad.
Moradores relatam que os alauitas comuns condenam a formação de grupos de resistência e apontam responsáveis radicais pela violência.
Desde o início dos ataques, centenas de alauitas fugiram de suas casas e a BBC recebeu relatos de saques e assassinatos em massa, inclusive de crianças. De acordo com grupos de monitoramento, ao menos 1,2 mil civis alauitas foram mortos, ao lado de 231 membros das forças de segurança e 250 combatentes leais a Assad nos confrontos recentes.