Réu, Bolsonaro diz que sofre perseguição para tirá-lo de 2026 e que só debateu 'alternativas políticas', não golpe
STF aceita denúncia contra Jair Bolsonaro e mais sete aliados por crimes relacionados a tentativas de golpe de Estado. Ex-presidente se torna réu e nega participação nos atos violentos de 8 de janeiro; defesa cita perseguição política.
Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou, por unanimidade, a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados, tornando-o réu.
Os réus incluem:
- Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Abin;
- Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
- General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança;
- Tenente-coronel Mauro Cid, ex-chefe da Ajudância de Ordens;
- General Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
- General Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil;
As acusações incluem:
- Tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito;
- Golpe de Estado;
- Dano contra o patrimônio da União;
- Deterioração de patrimônio tombado;
- Liderança de uma organização criminosa.
A defesa de Bolsonaro nega seu envolvimento, afirmando que ele repudiou os atos violentos de 8 de janeiro. O advogado Celso Vilardi reiterou essa posição em defesa no Supremo.
Bolsonaro argumentou em mensagem a aliados que a denúncia é uma perseguição política para barrar sua candidatura em 2026, alegando ser inocente e sem provas contra ele.
Em junho, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Bolsonaro inelegível até 2030. Ele também comentou que sua família sofre perseguições e alegou que não estava no Brasil no dia 8 de janeiro.
Bolsonaro foi à imprensa após o julgamento, insistindo que enfrentava uma acusação sem fundamento e sugerindo irregularidades nas eleições de 2022. Comparou sua situação com a da Venezuela, buscando apoio internacional e afirmando que o Brasil precisa de ajuda externa diante do que considera uma "ditadura".