Secas severas prejudicam escoamento de grãos pelas hidrovias e portos do chamado Arco Norte
Movimentação de soja e milho nos portos do arco norte enfrenta queda de 9% em 2024. A seca severa e a falta de infraestrutura adequada alertam para a necessidade de melhorias na logística de escoamento.
Movimentação de soja e milho nos portos do “arco norte” cai 9% em 2024
A movimentação de soja e milho nos terminais portuários do Pará e Maranhão caiu 9% nos primeiros cinco meses de 2024, apesar da supersafra. Dados da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) apontam para os efeitos das sucessivas secas severas em 2023 e 2024.
Segundo Murillo Barbosa, presidente da ATP, a redução nos níveis dos rios e a lentidão nas dragagens afetaram o carregamento das embarcações e o escoamento da safra. Em contrapartida, o arco norte apresenta crescimento nas exportações, com 30,9 milhões de toneladas em 2024, quase o triplo de 2015.
Dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) indicam que 67,9% da produção foi colhida acima do paralelo 16º Sul, favorecendo o escoamento pelo arco norte.
O transporte hidroviário é crucial nas rotas do arco norte, mas a seca é uma preocupação. Apesar de o transporte de grãos ser menos afetado que o de bens em geral, a ATP defende melhorias na navegabilidade dos rios e a realização de dragagens regulares.
A ATP e a CNA propõem um modelo de concessões hidroviárias para a gestão dos rios. O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) planeja lançar um edital de concessão do Tramo Sul da Hidrovia do Paraguai.
Elisangela Lopes, assessora da CNA, projeta que a participação do arco norte no escoamento de grãos aumentará neste ano, apesar das dificuldades iniciais. Ela ressalta a necessidade de foco nos corredores do arco norte para evitar desvio para portos mais consolidados, como Santos e Paranaguá.