Secretário da Fazenda de SP rebate crítica de Haddad: 'Caso do INSS não teve cruzamento de dados?'
Kinoshita defende que responsabilidade sobre a apuração de fraudes no ICMS deve ser compartilhada entre a Receita Federal e o Coaf. Ele também critica a forma como Haddad tratou a magnitude do caso, sugerindo que os valores desviados podem ser menores do que afirmado.
Secretário da Fazenda de SP, Samuel Kinoshita, rebateu críticas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre fraudes no ICMS por um servidor público.
Kinoshita comparou o caso a desvios bilionários no INSS e destacou a necessidade de que a Receita Federal e o Coaf cruzem dados para identificar fraudes. Ele afirmou que os valores desviados estão em apuração.
Durante um seminário, Haddad comentou sobre o escândalo envolvendo um servidor com mais de R$ 1 bilhão na conta, sinalizando a falta de liderança e exemplos na administração pública.
Kinoshita se disse surpreso com a declaração de Haddad e comparou o caso a um esquema que desviou R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas do INSS. Ele afirmou que a dimensão das fraudes no ICMS pode ser “20 avos” do mencionado, ou seja, R$ 50 milhões.
Em relação à investigação, ele revelou que a Sefaz está realizando auditorias e analisando dados compartilhados pelo Ministério Público. O secretário questionou a origem dos números citados por Haddad e pediu maior transparência.
Uma reportagem do GLOBO revelou que a professora aposentada Kimio Mizukami, mãe do auditor preso, é sócia de empresas investigadas por movimentação financeira suspeita, incluindo a Smart Tax e o Dac Bank.
O MP rastreou um esquema de lavagem de dinheiro que beneficiava grandes empresas em troca de vantagens tributárias. A movimentação da conta de Kimio subiu de R$ 411 mil em 2021 para R$ 2 bilhões em 2023.
Kinoshita garantiu que o governo tomará medidas disciplinares rigorosas e que estão trabalhando na alteração do arcabouço para evitar futuros problemas.