Segurança promete pautar eleições no Chile e ameaça chance de Boric fazer um sucessor
Presidente Gabriel Boric enfrenta críticas ao adotar medidas de segurança mais rigorosas. A decisão reflete pressões eleitorais e uma escalada da violência no Chile, desafiando sua agenda progressista.
Em julho de 2024, o presidente do Chile, Gabriel Boric, anunciou a construção de uma nova prisão de segurança máxima e outras medidas de segurança, surpreendendo aliados e opositores por ser uma abordagem linha-dura de um presidente de esquerda.
A decisão foi motivada pela crescente insegurança, que se tornou uma preocupação central, especialmente após o fracasso da nova Constituição e a escalada da violência associada ao narcotráfico.
Desde sua eleição em 2021, Boric, um dos presidentes mais jovens da história do Chile, tentou implementar uma agenda de reformas sociais, mas enfrentou dificuldades no Congresso, resultando em uma rápida queda de popularidade.
A percepção de insegurança alcançou 90%, segundo a Pesquisa Nacional Urbana de Segurança Cidadã de 2023. O Chile é considerado o país mais alarmado com segurança pública no mundo, de acordo com um relatório de fevereiro de 2024.
Os números de homicídios, embora ainda abaixo de outros países da América Latina, como o Brasil, têm aumentado desde 2016. O país enfrenta um aumento nos índices de criminalidade e uma intensificação da violência, com uma mudança na narrativa política provocada pela pressão da sociedade.
Boric formou um Ministério de Segurança Pública e anunciou um Plano Nacional contra o Crime Organizado, prevendo um aumento significativo no orçamento de segurança. No entanto, analistas apontam que o foco em policiamento não se correlaciona com melhorias no sistema prisional.
A introdução de políticas linha-dura levanta preocupações sobre a captura de votos dos eleitores de esquerda e moderados, enquanto candidatos da direita capitalizam sobre a crise da segurança e a imigração, ligando Boric à crise na Venezuela.
O assassinato de um opositor de Nicolás Maduro em Santiago ilustra o crescendo problema da violência organizada. Apesar das tentativas de Boric de diferenciar seu governo, ele enfrenta desafios significativos, com candidaturas da direita liderando pesquisas eleitorais.
“Soluções simples para problemas complexos estão sendo propostas”, alerta Marcela Rios Tobar, enfatizando a necessidade de abordar a segurança de maneira holística e não apenas com repressão.