Setor de etanol rejeita baixar tarifa dos EUA para conter Trump e quer disputar mercado no Japão
Setor sucroalcooleiro brasileiro busca novas oportunidades no Japão diante das tarifas recíprocas dos EUA. Presidente da Unica destaca diferenciais do etanol nacional e participação em Fórum Econômico para fortalecer presença no mercado japonês.
BRASÍLIA – A uma semana da implementação das “tarifas recíprocas” de Donald Trump, que afetam o etanol brasileiro exportado para os EUA, o setor sucroalcooleiro mira o Japão. O presidente da Unica, Evandro Gussi, informou que o setor rejeita a redução da tarifa de 18% sobre etanol de milho importado como alternativa à tarifação dos EUA.
As tarifas entrarão em vigor em 2 de abril. O governo brasileiro tenta adiá a aplicação. Gussi destacou que a indústria não considera a redução da tarifa, ressaltando as diferenças entre os etanóis. Em evento no Japão, discutirá estratégias energéticas e a descarbonização.
Ele expressou confiança nas negociações do governo Lula, embora não haja contraproposta. Segundo Gussi, a tarifa resultará em aumento de custos para os produtores americanos, sem impactar imediatamente os brasileiros.
O Brasil exporta principalmente para a Califórnia, onde o etanol brasileiro é valoroso devido à sua menor emissão de gases. No Japão, competirá com os EUA, que possuem 52% do mercado, enquanto o Brasil detém 28% e enfrenta queda significativa nas importações.
A demanda por etanol no Japão deve crescer, com o governo aumentando a mistura na gasolina para 10% até 2030, podendo chegar a 20% até 2040, conforme o METI. A frota japonesa está apta para esse aumento.
Gussi planeja um seminário em Tóquio e a comitiva que acompanha Lula inclui várias empresas do setor. O objetivo é diversificar mercados e reduzir a dependência das tarifas de Trump. A relação com o Japão é vista como independente dos conflitos geopolíticos.
Além de veículos híbridos, há interesse na colaboração para o desenvolvimento de Combustível de Aviação Sustentável (SAF), com a meta do Japão de que 10% dos voos internacionais utilizem SAF até 2030, demandando 1,7 bilhão de litros anualmente.
O Brasil, reconhecendo o diferencial competitivo do etanol, busca fortalecer suas relações comerciais com o Japão, focando na redução das emissões e no potencial de suprimento sustentável.