Sob pressão política e de bancos, BC precisará decidir sobre compra do Master em até 360 dias
Banco Central terá um prazo de até 360 dias para avaliar a aquisição do Banco Master pelo BRB, em meio a intensas pressões políticas e do setor bancário. A operação, considerada emblemática, levanta preocupações sobre a viabilidade financeira do BRB e riscos associados a ativos de alto risco.
Banco Central tem até 360 dias para avaliar a operação do BRB (Banco de Brasília) na aquisição do Master. As etapas estão na resolução 108 do BC (2021).
O acordo gerou inquietações no sistema bancário, destacando a relação política com Daniel Vorcaro (dono do Master) e suas operações arriscadas, além de uma disputa entre bancos sobre o FGC (Fundo Garantidor de Crédito).
Desinformações sobre o presidente do BC, Gabriel Galípolo, surgiram, incluindo um boato de reunião com CEOs do BTG Pactual e Itaú Unibanco, que foi negado pela assessoria do BC. O BC não confirmou análise sobre a operação.
A operação é considerada emblemática e envolve uma complexa situação semelhante a aquisições anteriores de bancos públicos. Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, também desmentiu rumores sobre uma reunião com Galípolo.
A documentação da compra foi protocolada no BC e a operação enfrenta cinco condicionantes, incluindo uma auditoria dos ativos de alto risco, totalizando R$ 23 bilhões. Sem a documentação completa, o BC permitirá um prazo extra para a apresentação de informações.
O BC avaliará a viabilidade da compra e os riscos para o BRB, analisando a operação como qualquer outro negócio. Grandes bancos criticam a abordagem do Master, que opera com ativos de alto risco e possui R$ 50 bilhões em CDBs.
A pressão para rever o modelo do FGC cresce entre os grandes bancos, que desejam ajustes nas regras a partir de janeiro de 2024.
Representantes do setor bancário acreditam que o prazo de avaliação não deverá se estender até os 360 dias disponíveis, dada a urgência e a importância da operação, mas o caso será um teste significativo para Galípolo.
O vazamento da operação antes do anúncio oficial provocou interpretações de que se tratava de um fato consumado, gerando pressões políticas. O presidente da ABDI, Ricardo Capelli, fala em um "dos maiores escândalos do país" ligado ao Master.
O governador do DF, Ibaneis Rocha, se manifestou contra tentativas de politização do tema, rebatendo críticas de Capelli. Vorcaro não comentou sobre a situação, enquanto o presidente do BRB foi rápido em comunicar aos funcionários após o anúncio da operação.