Sob risco de queda, premiê da França se submeterá a voto de confiança
François Bayrou enfrenta um momento crítico na Assembleia Nacional, com um orçamento polêmico em discussão e a possibilidade de perder o apoio da coalizão. A situação fiscal da França é delicada, e protestos contra as medidas já estão agendados para ocorrer antes da votação.
O primeiro-ministro francês, François Bayrou, anunciou que se submeterá a um voto de confiança na Assembleia Nacional em 8 de setembro. A decisão ocorre enquanto o governo tenta aprovar o Orçamento de 2026.
A proposta orçamentária enfrenta críticas de todas as partes e prevê um ajuste fiscal de quase € 44 bilhões (R$ 285 bilhões), incluindo:
- Congelamento de gastos sociais.
- Eliminação de dois feriados nacionais: a segunda-feira de Páscoa e o 8 de maio.
Bayrou declarou que a votação validará o orçamento e que cada medida será debatida posteriormente. Se perder o voto de confiança, sua coalizão de centro-direita cairá.
O líder do Reunião Nacional, Jordan Bardella, anunciou que seu partido não apoiará o governo, afirmando que “François Bayrou acaba de anunciar o fim de seu governo”.
A votação ocorrerá dias antes de protestos convocados por sindicatos e partidos de esquerda. As propostas devem ser aprovadas até o fim do ano.
A situação das contas públicas é preocupante, com um deficit público previsto de 5,4% do PIB em 2025. O objetivo é reduzir para 3% até 2029, conforme exigido pela União Europeia.
Outras medidas sugeridas incluem:
- Eliminação de 3.000 empregos públicos.
- Congelamento de aposentadorias e do imposto de renda.
- Contribuição dos mais afortunados (sem especificar um imposto sobre fortunas).
- Redução de € 5 bilhões em gastos com saúde.
A coalizão de Bayrou, embora sem maioria, já sobreviveu a oito moções de censura.
Desde a dissolução da Assembleia por Emmanuel Macron, a França possui um Parlamento dividido em três blocos: esquerda, centro-direita e ultradireita.