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Sobre confiança e as escolhas do BC

Preocupações com a inflação de 2024 aumentam devido à perda de confiança no governo e à disciplina fiscal. Apesar do desvio acima da meta, a dinâmica atual pinta um quadro menos crítico em comparação a períodos anteriores.

Inflação de 2024 ficou 1,8 pp acima da meta de 3,0%. Analistas estão preocupados com **o aquecimento da economia** e seu impacto nos preços.

De acordo com o Banco Central, o desvio da inflação se deve a:

  • Depreciação do câmbio: 1,2 pp
  • Contaminação da inflação de 2023: 0,52 pp (preços administrados subiram 9,1%)
  • Aquecimento da economia: 0,49 pp
  • Deterioração das expectativas inflacionárias: 0,3 pp

A queda do preço do petróleo ajudou a conter o desvio em -0,6 pp. O hiato do produto para 2024 é estimado em 0,64%, significativamente inferior ao pico de 2,4% em 2013.

Um fator importante é a baixa confiança no governo, afetando a disciplina fiscal e a autonomia do BC. As expectativas de inflação para 2026, 2027 e 2028 são de 4,5%, 4,0% e 3,8%, respectivamente, refletindo ceticismo sobre a meta.

A cotação do dólar também está acima do esperado, estimando-se que poderia estar em torno de R$ 5,10, com maior confiança no ajuste fiscal.

Estimativas sugerem que o desvio de inflação em 2024 poderia ter sido entre 0,6 e 1,1 pp menor com maior confiança.

Resolver a falta de confiança é um processo lento. **O choque de juros** não resolve os problemas atuais, e as expectativas inflacionárias continuam a subir.

O Banco Central precisa guiar os mercados com comunicação clara, enquanto enfrenta incertezas, especialmente em relação à política fiscal. Mesmo diante de desconfianças, é essencial que a instituição mantenha sua posição proativa para não exacerbar os receios do mercado.

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