Status de “porto seguro” dos títulos do Tesouro dos EUA passa a ser questionado
Os títulos do Tesouro dos EUA, outrora considerados um ativo seguro, enfrentam crescente desconfiança em meio a tensões comerciais promovidas pela administração Trump. O aumento dos rendimentos e a queda do dólar indicam uma mudança no apetite dos investidores por esses papéis, levantando questões sobre a estabilidade financeira global.
Títulos do Tesouro dos EUA, considerados seguros por Wall Street, enfrentam incertezas devido à política comercial de Donald Trump.
Os rendimentos, especialmente de dívida de longo prazo, aumentaram enquanto o dólar caiu. A dinâmica do mercado mostra os títulos sendo negociados como ativos de risco, o que levanta dúvidas sobre sua segurança.
Essa mudança pode impactar o sistema financeiro global, uma vez que os títulos do Tesouro são referência para a precificação de ações e dívidas.
Jim Grant, do Grant’s Interest Rate Observer, afirma que o mundo pode estar reconsiderando a confiança nos títulos dos EUA, o que foi evidenciado por um aumento nos rendimentos de 30 anos para 4,99%.
Analistas divergem sobre a situação: Benson Durham aponta que algumas métricas indicam menos aversão à dívida dos EUA em comparação a títulos da Europa.
Rumores sobre vendas de títulos pela China e fatores técnicos também são discutidos. Contudo, Scott Bessent, secretário do Tesouro, vê a atual situação como uma desalavancagem desconfortável.
Os dados mostram uma queda de 7% nas ações desde que Trump anunciou tarifas em abril, e a correlação entre o aumento dos rendimentos e a queda nas ações é rara.
Se investidores estrangeiros optarem por se afastar dos ativos dos EUA, as consequências poderão ser sérias, com cerca de US$ 7 trilhões em títulos do Tesouro em mãos estrangeiras.
Analistas como Shamil Gohil e Nathan Thooft indicam que mudanças políticas estão afetando a confiança nos ativos dos EUA, enquanto o Fed bate à porta de um ambiente de juros crescentes.
Os títulos do Tesouro podem não ser mais considerados proteção eficaz, sinalizando uma nova era nos mercados financeiros.