STF nega recurso do governo Lula contra exclusão de receitas do Judiciário do arcabouço fiscal
Decisão do STF destaca impacto no cumprimento do arcabouço fiscal. Governo será obrigado a ajustar receitas ou despesas para compensar a exclusão das verbas do Judiciário.
Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou, por unanimidade, recurso do governo Lula sobre o limite de gastos do arcabouço fiscal.
A decisão exclui as verbas do Poder Judiciário do limite, que no ano passado somaram cerca de R$ 2 bilhões.
Analistas veem a medida como um precedente ruim para futuras exceções no arcabouço.
O governo precisará compensar essa exceção com aumento de receitas ou cortes de despesas em outras áreas.
O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, afirmou que a decisão não gera impacto “tão relevante”, mas evitou comentários adicionais, ressaltando que o governo deve “cumprir”.
O julgamento ocorreu em sessão virtual após o relator, Alexandre de Moraes, cancelar pedido de destaque. Moraes convocou sessão extraordinária devido à “excepcional urgência” do caso.
Essa análise acontece às vésperas da apresentação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026, marcada para sexta-feira, 29.
A Advocacia-Geral da União (AGU) questionou a clareza da decisão sobre o que são “receitas próprias”, apontando que isso pode gerar interpretações divergentes.
Para o governo, a exceção deve incluir apenas “receitas de natureza originária”, como aluguéis e alienação de bens, excluindo custas e emolumentos.
Moraes, ao votar para negar o recurso, afirmou não haver obscuridade na decisão e confirmou que a exceção abrange tanto despesas custeadas com receitas próprias quanto com custas e emolumentos. Seu voto foi seguido pelos dez colegas.