Tarifa, dívida e ameaça de guerra: veja as crises entre Brasil e Paraguai por Itaipu
A suspensão das negociações do governo paraguaio ocorre após revelações sobre ações de espionagem da ABIN. A crise reflete tensões históricas em torno da hidrelétrica de Itaipu e suas implicações financeiras e políticas.
Governo paraguaio interrompe negociações sobre o Anexo C do Tratado de Itaipu após revelações de espionagem da ABIN, acentuando a tensão entre Brasil e Paraguai em relação à hidrelétrica.
Itaipu, a segunda maior hidrelétrica do mundo, foi construída entre 1975 e 1984, com um custo total de US$ 10,3 bilhões, sendo responsável por 8,7% da energia do Brasil e 86,4% do Paraguai.
A construção enfrentou diversas dificuldades, incluindo disputas territoriais e problemas com comunidades indígenas. O tratado original de 1973 previa que qualquer empreendimento hidrelétrico na região teria caráter binacional.
Em 1966, foi assinado um acordo diplomático entre Brasil e Paraguai que permitiu a construção da usina. A produção de energia começou em 1986 e, até 1989, Itaipu se tornou a maior hidrelétrica do mundo.
A tarifa da energia gerada é calculada para cobrir custos operacionais e financeiros, e atualmente está fixada em US$ 19,28 kW/mês até 2026. Desde 1985, a binacional paga royalties ao Brasil e Paraguai, totalizando cerca de US$ 11 bilhões até 2018.
Recentemente, a construção da usina também impactou negativamente a vida dos índios Avá-Guarani, com áreas sagradas sendo alagadas.
A espionagem da ABIN foi revelada em reportagem, levando o Paraguai a interromper o processo de negociação e chamar seu embaixador para consultas. O novo acordo estava avançado entre 70% e 80% antes da crise.