Tesouro Direto: títulos encerram março no azul, mas trimestre é de perdas
Os títulos atrelados ao IPCA mostram recuperação em março, mas ainda enfrentam volatilidade e perdas no trimestre. Analistas recomendam foco em proteção contra a inflação, diante das expectativas de elevação das taxas de juros.
Desempenho dos Títulos Públicos em Março de 2025:
Após queda no mês anterior, os títulos atrelados ao IPCA fecharam março com taxas em alta, mas sem levar prejuízo aos investidores.
O título com vencimento em 2029 registrou pagamento de IPCA + 7,96%, o que representa uma queda nos preços. Apesar do cenário favorável, quem comprou a taxas menores pode enfrentar perdas se vender antes do vencimento.
As perdas no trimestre são evidentes, com quedas superiores a 3% nos títulos de longo prazo.
No entanto, o Tesouro IPCA+ com vencimentos em 2029 e 2035 é recomendado por analistas do Itaú e Santander, que sugerem proteger a carteira contra a inflação, projetada fora da meta em 2025.
Nos títulos prefixados, a taxa superou 15%, acima da taxa Selic de 14,25%. Apesar disso, cautela é necessária devido à expectativa de novas altas na Selic, que pode chegar a 15% até 2025.
Entre os pós-fixados, o Tesouro Selic 2028 é recomendado, pois se beneficia da alta na taxa Selic, mantendo retornos reais elevados.
Os analistas concordam: é aconselhável manter os títulos até o vencimento para assegurar o retorno contratado, caso contrário, pode haver perdas temporárias.
A Secretaria do Tesouro Nacional observa aumento na volatilidade, com 12 suspensões de negócios no primeiro trimestre, reflexo de preocupações fiscais e do desempenho do Tesouro americano.
Analistas, como Caio Martins do Santander, afirmam que o risco fiscal é um fator crucial para a alta das taxas de juros e que, embora a situação atual seja preocupante, há expectativa de queda nas taxas nos próximos meses.
Números do Trimestre:
- O título de longo prazo teve queda de 3,55% na rentabilidade.
- Títulos prefixados não apresentaram acumulado no trimestre.
- O destaque foi para o Tesouro Selic, com 55,1% das vendas.
- Títulos indexados à inflação somaram 30,9% e prefixados 14% das vendas.
- O novo Tesouro RendA+ cresceu 20% em relação ao ano anterior.
Conclusão: O ideal é manter os investimentos até o vencimento para garantir o retorno acordado e evitar perdas decorrentes da volatilidade do mercado.