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The Panama Playlists: como funcionou o vazamento do Spotify que expôs famosos? Spoiler: foi bem fácil

Um engenheiro anônimo expôs os hábitos musicais de figuras públicas por meio de um site criativo, provocando debates sobre privacidade e exposição online. Com seu projeto chamado “Panama Playlists”, ele revela como as configurações de privacidade do Spotify podem surpreender até mesmo os mais atentos.

Um site chamado “The Panama Playlists” foi criado por um anônimo, revelando os hábitos musicais de cerca de 50 personalidades, como políticos, executivos de tecnologia e jornalistas. O autor, que se apresenta como "Tim", coletou dados de perfis do Spotify que estavam públicos, mas desconhecidos pelos usuários.

O nome é um trocadilho com o Panama Papers de 2016, que divulgou documentos financeiros de bilionários. As playlists apresentavam detalhes curiosos, como a inclusão da música "Billionaire" na playlist de Marc Benioff e o uso do Shazam por Sam Altman para reconhecer "Get Ur Freak On". A playlist de Altman foi retirada e negada por ele posteriormente.

Os repórteres Mike Isaac e Kashmir Hill, autores deste artigo, também estavam entre os mencionados. O vice-presidente JD Vance ficou associado à canção "I Want It That Way" dos Backstreet Boys.

O site colocou em evidência a exposição involuntária que usuários do Spotify podem enfrentar, com configurações de privacidade que tornam playlists públicas por padrão. Para torná-las privadas, é necessário mudar as configurações manualmente.

Tim, cujo nome verdadeiro é Riley Walz, utilizou bots para coletar dados de escuta. Embora o Spotify tenha declarado que ele violou suas diretrizes, Walz desconsiderou a ordem de “parar e desistir”. Ele escolheu incluir jornalistas por seu papel em questões de privacidade.

Em resposta, o Spotify lembrou que as playlists públicas são um incentivo para os usuários compartilharem e descobrirem músicas, mas muitos não percebem a visibilidade de suas atividades.

O caso levanta questões sobre privacidade intelectual, já que os dados pessoais são facilmente acessíveis online. Figuras públicas como Palmer Luckey e Brian Armstrong se mostraram descontraídos quanto a suas playlists, apontando que o estigma da música pop ainda persiste.

Essa situação destaca a dificuldade que muitos têm em equilibrar privacidade e a cultura da exposição nas redes sociais, mesmo para aqueles familiarizados com a tecnologia.

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