Trump anuncia tarifa de 10% para o Brasil; taxas chegam a 49% para outros países
Trump anuncia tarifa de 10% sobre produtos brasileiros em novo pacote comercial. Medida gera incertezas na economia global e pode impactar inflação e financiamento no Brasil.
Donald Trump anunciou uma tarifa de 10% sobre produtos brasileiros, parte do pacote de tarifas denominado “Dia da Libertação”, que impõe sobretaxas recíprocas a produtos importados. A medida muda drasticamente a política comercial dos EUA.
As tarifas variam conforme o país, chegando a até 49% para o Camboja, que cobraria 97% dos EUA. Para o Brasil, a sobretaxa será a menor, ao lado de Singapura e Reino Unido. Estima-se um impacto de até US$ 2 bilhões nas exportações brasileiras.
Em seu discurso, Trump afirmou que “hoje é o Dia da Libertação”, destacando o renascimento da indústria americana após 50 anos de enganos aos contribuintes. Ele criticou tarifas de importação de outros países, sem mencionar as altas tarifas americanas.
O governo dos EUA já impôs uma tarifa de 25% sobre carros e autopeças importados, que entra em vigor após meia-noite de quinta-feira (3).
O conceito de “tarifa recíproca” busca equiparar encargos, mas ignora aspectos do comércio internacional e pode aumentar tensões comerciais. Trump afirma que as tarifas visam abordar tarifas e barreiras não tarifárias.
O impacto sobre o comércio brasileiro é considerado relativamente limitado a curto prazo, já que setores vulneráveis, como aeronaves e aço, não são os principais alvos inicialmente.
A secretária do Agro dos EUA visitará o Brasil em breve para discutir o equilíbrio comercial agrícola. Otaviano Canuto (ex-FMI) alerta para o potencial aumento da inflação nos EUA, que pode forçar o Federal Reserve a manter juros altos, afetando o real e o crédito brasileiro.
Mesmo sem impactos diretos, o Brasil poderá sentir efeitos através de encarecimento do financiamento externo e desvalorização cambial.
(Matéria em atualização)