Uso de IA pode aumentar desigualdade de gênero no mercado de trabalho
A crescente adoção de inteligência artificial no local de trabalho pode exacerbar a desigualdade de gênero. Estudos indicam que mulheres em setores vulneráveis enfrentam riscos maiores de automação, enquanto a falta de inclusão nas decisões sobre tecnologia pode perpetuar vieses existentes.
Desigualdade de Gênero e Inteligência Artificial
O uso crescente da inteligência artificial (IA) no trabalho pode acentuar a disparidade de gênero no mercado. Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que 26% a 38% dos empregos na América Latina poderão ser afetados pela IA generativa. Mulheres em áreas urbanas e com maior instrução estão mais vulneráveis à automação.
Carolina Zillig, da consultoria Mercer, afirma que a IA não tem objetivo de impactar gêneros, mas a estratégia das organizações determinará os efeitos. Investimentos em requalificação e inclusão são essenciais para que as mulheres se beneficiem da tecnologia.
Angelica Mari, CEO da plataforma Futuros Possíveis, alerta que a falta de acesso à educação tecnológica pode aumentar a lacuna entre gêneros. Ela enfatiza que a implementação da IA e a governança são cruciais para evitar discriminações.
A Mercer identifica que funções como atendimento ao cliente e análise de fraudes, predominantemente femininas, são mais impactadas pela automação. Em contrapartida, áreas de tecnologia e análise de dados são dominadas por homens.
O uso da IA nos processos de recrutamento pode aumentar a eficiência, mas requer cuidado para não reforçar vieses existentes. Ferramentas como a da Amazon mostraram discriminação contra mulheres, ressaltando a necessidade de revisão dos algoritmos e de supervisão humana.
Luana Génot, do ID_BR, afirma que a IA não muda a cultura; é necessário um processo humano intencional para promover a diversidade. O uso afirmativo da IA em práticas de contratação é fundamental.
A questão dos formatos de jornada de trabalho também é relevante. Pesquisa do International Workplace Group (IWG) indica que o trabalho híbrido beneficiou 71% das mulheres entrevistadas, favorecendo sua progressão na carreira. A flexibilidade e o equilíbrio promovidos por esse formato são essenciais, especialmente no contexto das responsabilidades domésticas.
Tânia Costa, do IWG, destaca que o trabalho híbrido permite às mulheres equilibrar vida pessoal e profissional. Em contraste, o retorno ao trabalho presencial tem impactos negativos, como relatado por Sylvia Hartman, da Remota, que observou problemas de saúde mental e produtividade entre mulheres obrigadas a retornar ao escritório.