Venezuela concorda em receber deportados dos EUA em meio à crise de imigração de Trump
Venezuela e EUA chegam a um acordo para retomar deportações de migrantes. A medida ocorre em meio a tensões entre os governos, que se acusam de boicotar acordos anteriores.
A Venezuela anunciou, neste sábado (22), a retomada dos voos de deportados pelos Estados Unidos, que estavam suspensos há um mês.
O acordo chega uma semana após a deportação de 238 venezuelanos para uma prisão de segurança máxima em El Salvador, que o presidente Nicolás Maduro classificou como sequestro.
O governo Trump questionou o ritmo das deportações, após revogar a licença da Chevron para operar na Venezuela. Caracas acusou o Departamento de Estado americano de estar “bloqueando” os voos de repatriação.
Jorge Rodríguez, negociador-chefe venezuelano, afirmou que um voo inicial para repatriação ocorrerá amanhã, 23 de março.
As relações diplomáticas entre os dois países estão rompidas desde 2019, quando o embargo ao petróleo foi imposto. Washington não reconheceu o terceiro mandato de Maduro, alegando fraude nas eleições de julho de 2024.
Estados Unidos classificaram os deportados como membros da organização Tren de Aragua, considerada terrorista pelo governo Trump. O presidente americano usou uma lei de 1798 para justificar as deportações, que Caracas considera anacrônica.
Trump negou ter assinado a invocação da lei, sugerindo que seu secretário de Estado foi o responsável. Maduro denunciou a criminalização da migração, que segundo a ONU, ultrapassou 7,5 milhões desde 2014.
Ele afirmou: “Migrar não é crime” e reafirmou o compromisso de retornar todos os que requerem ajuda. Famílias dos deportados relataram que foram enganadas e levadas para El Salvador sob ordens de deportação.
Cerca de 900 venezuelanos foram repatriados desde fevereiro, a maioria dos Estados Unidos e o restante do México.
Com informações da AFP