Vinho europeu em xeque: tarifas de Trump e queda no consumo ameaçam setor
Tarifas elevadas impõem desafios severos aos produtores de vinho europeu em meio a uma queda de consumo. Cooperativas enfrentam excesso de estoque e incertezas sobre o futuro do mercado americano.
Produtores de vinho europeus enfrentam dificuldades após a ameaça de tarifa de 200% proposta pelo presidente Donald Trump. A França já paga agricultores para arrancarem videiras devido ao declínio no consumo.
A Cave Héraclès, a maior cooperativa de vinhos orgânicos da França, observa que suas cubas estão cheias e que os pedidos de clientes americanos diminuíram. Isso pode resultar em acúmulo de Merlot e Chardonnay nas adegas, com a possibilidade de destilação para uso como desinfetante.
Jean Philippe Julien, presidente da cooperativa, alerta que a próxima colheita se aproxima, mas os compradores estão pedindo para esperar, o que impacta negativamente o setor já paralisado.
A interrupção nas exportações para os EUA já custou cerca de 100 milhões de euros por semana às vinícolas, segundo Ignacio Sánchez Recarte, do CEEV.
Com uma queda na demanda, especialmente entre os jovens, a produção de vinho global continua excessiva. A França garantiu 120 milhões de euros da UE para compensar os agricultores pela destruição de vinhedos.
Os produtores europeus tentam enviar o máximo de vinho para os EUA antes das tarifas, mas a viabilidade do mercado americano está em risco. Adrian Bridge, da Fladgate Partnership, advertiu que tarifas tão altas poderiam fechar o mercado imediatamente.
A UE busca negociar a remoção parcial das tarifas, enquanto a Comissão Europeia propõe medidas para manter a competitividade das vendas de vinho.
Jerome Bauer, representante de produtores franceses, ressalta a importância de resolver o conflito diplomaticamente, afirmando que ninguém se beneficia dele.
O cenário é incerto, com os produtores aguardando decisões que afetarão suas operações e o futuro do setor vitivinícola.